Bahia ainda tem Judiciário majoritariamente branco, mesmo com cotas raciais
Mesmo sendo o estado com maior proporção de pessoas pretas e pardas do país, a Bahia ainda não refletiu essa realidade em suas carreiras jurídicas. Um estudo do Observatório da Branquitude, divulgado nesta terça-feira (7/6), mostra que a presença de profissionais brancos continua predominando no Judiciário e no Ministério Público baianos, apesar da adoção de políticas de cotas raciais.
Segundo a pesquisa, 58% dos juízes e desembargadores no estado se autodeclaram brancos. Entre promotores e procuradores de Justiça, o percentual é ainda mais alto: 66%. Os números chamam atenção porque contrastam com o perfil da população baiana, em que cerca de 80% dos habitantes se identificam como pretos ou pardos.
O levantamento reforça um problema estrutural que vai além do acesso formal aos concursos públicos. Ainda que as ações afirmativas tenham ampliado oportunidades, os dados indicam que a presença negra nas posições mais altas da carreira jurídica segue limitada, revelando barreiras que começam na formação, passam pela preparação para seleções e alcançam os espaços de maior prestígio institucional.
Na prática, a pesquisa coloca em debate a efetividade das cotas e a necessidade de políticas mais amplas para democratizar o sistema de Justiça. Para além da composição numérica, o desafio é construir instituições que espelhem a sociedade baiana e assegurem diversidade também nos cargos de decisão.